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Curriculum de Fotógrafo

Tem muita gente que está começando agora na fotografia e me pergunta sobre Portfolio. O que fazer? Como fazer? Será que vai parar na lata do lixo? Então resolvi escrever à respeito.

Não que eu tenha tanta experiência como fotógrafo, mas tenho um certo caminho traçado em uma agência internacional de notícias, estando do outro lado da mesa, como CEO, recebendo Portfolios de fotojornalistas que desejavam ser freelancers da agência.

Talvez a melhor dica a se dar não seja em relação à beleza do Portfolio, à sua apresentação, os recursos que o acompanham, a cor da capa, etc., mas sim, como ele é levado à agência ou à empresa para a qual se deseja trabalhar.

Contudo, antes de falar disso, vamos deixar uma regra bem clara:

1. Curriculum Vitae de fotógrafo é seu portfolio

Então, tudo o que vou falar agora, que deixa o Portfolio em segundo plano, não exime meu caro colega de ter um trabalho bem organizado e bem impresso para mostrar ao futuro cliente ou contratador.

Então, como estava falando, o que fará a diferença para você ser contratado ou não não é bem a técnica ou beleza de suas fotos, mas quem você é.

A relação que se estabelece entre o cliente e o fotógrafo é uma relação de confiança. Se a “Revista Dasjuju” contrata o “J. A. Durango” (nomes fictícios, obviamente) para fazer um editorial por mês, não é porque ele deixou o portfolio com a moça da portaria ou a seretária, mas porque o conhecem, conhecem seu trabalho feito para outros clientes, ou até mesmo o editor-chefe da revista conhece um outro cliente do fotógrafo que lhe garantiu que seu trabalho vale a aposta.

Daí você pode me dizer que não conhece ninguém em revistas ou agências de publicidade e não teria como fazer isso.

“– Estou começando agora e ninguém me conhece! Como vão me indicar?”.

Como diria o Chapolin Colorado, “Palma, Palma, não priemos cânico!” E não se esqueça que entre você e uma pessoa totalmente desconhecida no mundo, há em média somente 5 pessoas, e você só precisa encontrar o caminho certo até ser apresentado à seu cliente. E, posso comprovar que isso é uma tremenda realidade, pois conheço pessoas hoje que jamais imaginei que as conheceria. Até o Papa Bento XVI está na lista! E, por graça de Deus, temos hoje, só um amigo nos separando. Ou seja, de 5 passou para 1 em poucos meses. Isso me deu a graça de ter minha filha menor sendo levada e beijada por ele no papa-móvel em outubro passado, em plena praça de São Pedro no Vaticano.

© L'Osservatore Romano

Então, muito mais importante que ter um belo trabalho, é ter uma bela rede de contatos, o famoso network.

Todo jornalista sabe que qualquer pessoa que conhece pode ser uma fonte em potencial, e tem todos os dados da pessoa em seu banco de dados, seja ele um caderninho ou um FileMaker Pro no seu Mac (detesto PCs). Para nós fotógrafos, a regra é basicamente a mesma: qualquer pessoa que conhecemos é um cliente em potencial – ou conhece um –, e temos que ter todos os seus dados bem registrados em uma base de dados. É justamente para isso que serve a opção “friend” na agenda do Mac. Quando você cadastra uma pessoa no simplório software nativo do Mac OS, pode perceber que logo abaixo dos telefones tem uma guia chamada “friend”, que pode mudar para “spouse”, etc. Utilize-a, cruze os contatos, saiba quem é quem.

Outro ponto a ser levado em consideração é o nível de confiança que tem com essas pessoas, que pode ser medido em:

– conhecimento

– simpatia

– amizade

– confiança

Se você só conhece o indivíduo, faça o possível para ganhar sua simpatia, e ganhando-a, lucre um novo amigo, e quando forem amigos, a confiança surge automaticamente, e isso lhe dará mais força para que essa pessoa se torne seu cliente, veja seu trabalho com outros olhos e até recomende seu trabalho para outros.

Parece até que estou planejando ter amigos só por interesse, mas na verdade, só os amigos te contratam, pois os inimigos vão buscar sempre outro fotógrafo. É assim que funciona e obviamente não estou falando de amizade na sua mais perfeita etimologia, com seu peso filosófico, um tipo de amor. Aqui estou falando de amizade no que se refere à relações de trabalho.

No último exemplar da revista Digital Photographer Brasil, da editora Digerati, há uma matéria muito boa sobre como se tornar um profissional, e alguns profissionais dão dicas de como chegaram a ser o que são. E, se não estou enganado, quase todos eles, senão todos, afirmaram que um dos passos para se tornar profissional é “fazer network”:

Dessa forma, queria só deixar essa dica, perca a vergonha e seja um Homem-Aranha, não para subir em prédios ou combater o crime, mas para criar sua teia, sua network. O trabalho do fotógrafo também é feito no corpo a corpo (não com as modelos. Isso dá processo e é anti-ético!), mas com seus potenciais clientes.

Um grande abraço.

J. Caetano

(P.S.: Semana que vem vou falar mais um pouquinho sobre portfolio)

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Aperture 3 x Lightroom

Introdução justa e necessária

Esse é um post mais técnico que os outros. E, por sinal, o Blog da Stone, a partir de hoje, deixa de ser somente um blog e passa a ser UM BLOG de verdade, focado em moda, tendências, e fotografia. Nossa equipe de blogueiros (ou melhor, jornalistas) do mais alto escalão está se preparando para semana que vem começar em alto estilo com artigos sobre a São Paulo Fashion Week e outros temas. Profissionalismo acima de tudo.

Agora, direto ao assunto

Desde que a Apple resolveu voltar seus olhos para terra brasilis e nós, fotógrafos e profissionais do design foram abençoadoscom os produtos do titio Steve Jobs, e mais ainda com o lançamento do iPhone, que abriu o universo do OS mais bonitão e enxuto do mundo para qualquer mero mortal que possua um pouco mais de grana no “bolsillo” e prezam o design, o belo, e a ausência virtual de vírus, houve uma invasão dessas máquinas maravilhosas em estúdios e de seus adesivos com a famosa maçã de Newton nos veículos em nossas cidades.

Com essa invasão, há alguns anos fomos também apresentados ao software nativo para armazenamento e tratamento de fotos da Apple, o famoso Aperture. A idéia era atingir um público de fotógrafos profissionais que necessitassem de um software para organizar a bagunça digital de suas HDs e colocar as fotos em ordem, além de fazer ajustes pequenos e básicos nas fotografias, principalmente para quem não utilizava todos os recursos do Adobe Photoshop. Não demorou nada e o pessoal da Adobe, que bobo não é, lançou o Ligthroom, que queria fazer a mesma coisa. Na época, gratuito. Ao contrário do software da Apple, que custava uns 90 dólares, aproximadamente. Afinal, nada é de graça em Cupertino.

Ambos softwares evoluíram e chegaram hoje às suas mais aprimoradas versões. Não quero julgar do ponto de vista técnico, pois não sou engenheiro de software, mas vou julgar do ponto de vista do usuário final, fotógrafo e dono de Mac (e meio desorganizado em seus arquivos).

Testei os dois softwares em suas diversas versões e fiquei com o Aperture. Por que?

Simples, porque ele é visualmente mais organizado que o Lightroom.

O programa da Adobe tem cara de Windows, é desorganizado igual ao Windows, com muitas pastas e subpastas, e uma das coisas que me acostumei nos Macs foi não usar muitos diretórios, pastas, etc.

O Aperture é mais bonitinho pra mim, mais Mac, mais limpo. Permite-me saber onde está cada foto e não tenho que me preocupar onde ela está em minha HD. É simples, está na biblioteca do Aperture e pronto. Basta saber disso. Crio uma biblioteca para cada Job e depois faço o devido Backup em duas HDs externas. Pronto, três arquivos que contém todos os master files de minhas fotos, em Raw. E, diferentemente do Photoshop, quando faço as modificações de costume nas fotos (contraste, curvas, etc.), ele não fica enchendo minha HD com novas versões de fotos, mas simplesmente grava o que fiz e só irá gerar uma nova versão da imagem, com as modificações, quando eu exportar a imagem em sua versão final, mas daí já é outra história. Isso diminuiu alguns bons Gigabites em minhas HDs.

Nos próximos meses escreverei artigos sobre o Aperture, e quem tiver dúvidas sobre o uso do software pode deixar um comentário, com e-mail, que tentarei responder.

Abraço a todos.

J. Caetano